Na hora de especificar o acionamento de um motor elétrico industrial, duas opções dominam o mercado: a soft starter (chave de partida suave) e o inversor de frequência (VFD). Embora ambos eliminem os problemas da partida direta — pico de corrente de 6 a 8 vezes a nominal, golpe mecânico e queda de tensão na rede — são dispositivos com princípios de funcionamento, capacidades e custos muito diferentes.
Escolher o equipamento errado significa desperdiçar dinheiro: ou você paga mais caro por funcionalidades que não vai usar, ou economiza na compra e perde em eficiência operacional durante toda a vida útil do sistema. Neste artigo, vamos comparar as duas tecnologias em profundidade para que você tome a decisão certa.
Como Funciona uma Soft Starter
A soft starter utiliza pares de tiristores (SCRs) em cada fase para controlar a tensão aplicada ao motor durante a partida e a parada. Na partida, os tiristores aumentam gradualmente o ângulo de condução, elevando a tensão de forma progressiva ao longo de um tempo programável (tipicamente 5 a 30 segundos). Isso limita a corrente de partida a valores entre 2 e 4 vezes a corrente nominal — muito menos que as 6 a 8 vezes da partida direta.
O detalhe fundamental é que, após o motor atingir a velocidade plena, a soft starter ativa um bypass interno (contator de bypass) que curto-circuita os tiristores. A partir desse momento, a soft starter está efetivamente "fora do circuito" — o motor opera conectado diretamente à rede, na frequência fixa de 60 Hz. A soft starter só volta a atuar na parada, reduzindo gradualmente a tensão para desacelerar o motor de forma suave.
Em resumo: a soft starter controla o motor apenas nos momentos de partida e parada. Durante a operação em regime, ela não oferece nenhum controle de velocidade, torque ou economia de energia.
Como Funciona um Inversor de Frequência
O inversor de frequência é um equipamento significativamente mais complexo. Ele converte a energia da rede (CA fixa) em corrente contínua e depois reconstrói uma saída CA com tensão e frequência totalmente variáveis, utilizando transistores IGBT chaveados em alta frequência (modulação PWM).
Diferente da soft starter, o inversor permanece no circuito durante toda a operação, controlando continuamente a velocidade, o torque e a corrente do motor. Isso permite acelerar, desacelerar, manter qualquer velocidade entre zero e a nominal (ou acima), e responder dinamicamente a variações de carga — funcionalidades que a soft starter simplesmente não possui.
Para uma explicação detalhada do funcionamento interno do inversor (retificador, barramento CC e ponte IGBT), consulte nosso Guia Completo: Como Funciona um Inversor de Frequência.
Tabela Comparativa: Soft Starter vs Inversor de Frequência
| Critério | Soft Starter | Inversor de Frequência |
|---|---|---|
| Custo de aquisição | 40% a 60% mais barato | Referência (100%) |
| Controle de velocidade | Não — velocidade fixa (60 Hz) | Sim — 0 a 60 Hz (ou acima) |
| Controle de torque | Não | Sim — escalar ou vetorial |
| Economia de energia | Mínima (apenas na partida) | Até 50% em cargas variáveis |
| Corrente de partida | 2 a 4× a nominal | 1 a 1,5× a nominal |
| Dimensões físicas | Compacto | Maior (dissipador, capacitores) |
| Geração de harmônicas | Baixa (atua só na partida) | Moderada a alta (requer filtros) |
| Complexidade de instalação | Simples (substitui partida direta) | Maior (cabos blindados, aterramento, EMC) |
| Manutenção | Baixa (poucos componentes) | Moderada (capacitores, ventiladores) |
| Vida útil típica | 15 a 20 anos | 10 a 15 anos |
| Frenagem controlada | Parada suave por rampa de tensão | Frenagem CC, rampa e regenerativa |
| Múltiplos motores | Sim (com cuidado no dimensionamento) | Possível em modo V/F, limitado |
Quando Usar uma Soft Starter
A soft starter é a escolha ideal quando você precisa de uma partida suave mas não necessita de controle de velocidade durante a operação. Os cenários mais comuns incluem:
- Bombas centrífugas de velocidade fixa: A soft starter elimina o golpe de aríete (water hammer) causado pela partida abrupta, protegendo tubulações e válvulas. Após a partida, a bomba opera em velocidade constante e a soft starter entra em bypass.
- Compressores de ar: Grandes compressores (50 cv+) frequentemente utilizam soft starter para reduzir o pico de corrente na partida, evitando a necessidade de transformadores e disjuntores superdimensionados.
- Ventiladores de grande porte: Em sistemas de ventilação com velocidade fixa e dampers mecânicos de controle de fluxo, a soft starter reduz o estresse mecânico na partida sem a complexidade de um inversor.
- Motores de alta potência: Para motores acima de 200 cv, o custo de um inversor de frequência é substancial. Se a aplicação não requer variação de velocidade, a soft starter oferece o benefício da partida suave por uma fração do custo.
- Esteiras transportadoras simples: Transportadores que operam em velocidade constante se beneficiam de uma partida gradual que evita escorregamento e derramamento de material, sem a necessidade de controle de velocidade contínuo.
Quando Usar um Inversor de Frequência
O inversor de frequência se justifica sempre que a aplicação demanda controle contínuo de velocidade, torque ou ambos, ou quando a economia de energia é um fator decisivo:
- Bombas e ventiladores com demanda variável: Se a vazão ou pressão precisa ser ajustada conforme a demanda do processo, o inversor controla a velocidade do motor em tempo real, eliminando válvulas de estrangulamento e economizando até 50% de energia.
- Esteiras e transportadores com velocidade variável: Linhas de produção que precisam ajustar a velocidade para diferentes produtos, sincronizar estações ou operar em modo "jog" para manutenção.
- Extrusoras, misturadores e bobinadeiras: Aplicações que exigem controle preciso de torque e velocidade para garantir a qualidade do produto final.
- Pontes rolantes e elevadores: Controle vetorial com encoder para posicionamento preciso e torque controlado em todas as velocidades, incluindo sustentação de carga em velocidade zero.
- Processos com controle PID: O inversor pode receber sinal de sensores (pressão, vazão, nível, temperatura) e ajustar a velocidade do motor automaticamente via PID interno, eliminando a necessidade de um controlador externo.
Análise de Custo: Exemplos Reais
Cenário 1: Bomba de 30 cv — Velocidade fixa
Uma bomba de recalque que opera em velocidade constante 16 horas/dia. A demanda é fixa e a vazão é controlada por válvula. Nesse caso:
- Soft starter SSW07 (WEG): ~R$ 4.500
- Inversor CFW500 (WEG): ~R$ 11.000
- Economia com inversor em energia: Irrelevante (velocidade é constante)
- Decisão: Soft starter. Economia de R$ 6.500 sem perda funcional.
Cenário 2: Bomba de 30 cv — Vazão variável
A mesma bomba de 30 cv, mas agora a demanda de vazão varia entre 60% e 100% ao longo do dia:
- Soft starter + válvula: R$ 4.500 (soft starter) + R$ 2.500 (válvula motorizada) = R$ 7.000. Consumo de energia: ~R$ 48.000/ano.
- Inversor CFW500: R$ 11.000. Consumo de energia: ~R$ 28.000/ano (economia de ~40%).
- Economia anual com inversor: R$ 20.000/ano em energia.
- Payback do inversor: Menos de 3 meses quando comparado à solução com válvula.
- Decisão: Inversor de frequência, sem dúvida. A economia paga o equipamento em poucos meses.
É Possível Usar os Dois Juntos?
Sim, e essa combinação é mais comum do que se imagina. Em sistemas com múltiplas bombas ou ventiladores em paralelo, é frequente utilizar um inversor de frequência em um motor (o motor "líder") e soft starters nos demais (motores "seguidores"). O inversor ajusta a velocidade do motor líder para controle fino de vazão/pressão, enquanto as soft starters ligam e desligam os motores seguidores conforme a demanda sobe ou desce. Essa arquitetura oferece controle de processo preciso com um custo total muito menor do que instalar inversores em todos os motores.
Não superdimensione: VFD onde basta uma soft starter
Um erro frequente em projetos industriais é especificar inversores de frequência para motores que nunca precisarão de variação de velocidade — apenas porque "o inversor faz tudo". Além do custo 40% a 60% maior, o inversor introduz complexidade de instalação (cabos blindados, filtros EMC), manutenção periódica (troca de capacitores, ventiladores) e geração de harmônicas na rede. Se a aplicação é velocidade fixa com partida suave, a soft starter é a solução técnica e economicamente correta.
A FIXTRON Repara Soft Starters e Inversores de Frequência
Independente da sua escolha, a FIXTRON possui laboratório especializado para diagnóstico e reparo de soft starters e inversores de frequência de todas as marcas — WEG, ABB, Siemens, Danfoss, Schneider, Yaskawa e mais. Nossos técnicos têm experiência com equipamentos de 1 cv a 500 cv, com diagnóstico gratuito e garantia de 6 meses em todos os serviços.
Conclusão: Como Decidir
A regra prática é simples:
- Se o motor opera em velocidade fixa e você precisa apenas de uma partida suave → Soft starter.
- Se o motor precisa operar em velocidades variáveis, ou se existe potencial significativo de economia de energia → Inversor de frequência.
- Se há múltiplos motores em paralelo com demanda variável → Considere a arquitetura mista (VFD + soft starters).
Ainda em dúvida? A equipe técnica da FIXTRON pode ajudar na especificação do acionamento correto para a sua aplicação. Entre em contato e descreva sua necessidade — orientamos sem compromisso.
Precisa de Reparo em Soft Starter ou Inversor?
Diagnóstico gratuito, laudo técnico detalhado e garantia de 6 meses. Atendemos todas as marcas e modelos.