Introdução: Duas Gerações de Inversores WEG
A WEG é, sem dúvida, a maior fabricante de inversores de frequência do Brasil e uma das mais respeitadas do mundo. Com presença em mais de 135 países e décadas de inovação, a empresa construiu um portfólio de produtos que equipam indústrias de todos os portes — de pequenas fábricas a grandes plantas petroquímicas.
Dois modelos se destacam quando o assunto é acionamento de motores de indução trifásicos em aplicações industriais de uso geral: o CFW11, que durante anos foi o carro-chefe da linha, e o CFW500, seu sucessor direto. A transição entre gerações gera dúvidas legítimas: vale a pena migrar? Quando é melhor continuar reparando o CFW11? Este artigo responde essas perguntas com dados técnicos e experiência de campo.
Contexto importante
O CFW11 foi oficialmente descontinuado pela WEG, embora ainda existam peças de reposição disponíveis no mercado. O CFW500 é a plataforma atual para a faixa de potência até 250 cv, com firmware e acessórios em constante evolução.
Tabela Comparativa: CFW11 vs CFW500
A tabela abaixo resume as principais diferenças técnicas entre os dois inversores. Use-a como referência rápida para tomada de decisão.
| Característica | CFW11 | CFW500 |
|---|---|---|
| Status do produto | Descontinuado | Linha ativa |
| Faixa de potência | 0,5 a 250 cv | 0,5 a 250 cv |
| Tensão de alimentação | 220V / 380V / 440V | 220V / 380V / 440V |
| Controle vetorial sensorless | Sim (VVW) | Sim (VVW aprimorado) |
| Controle vetorial com encoder | Sim | Sim (com módulo plug-in) |
| CLP integrado (SoftPLC) | Não | Sim — IEC 61131-3 |
| Porta USB para programação | Não | Sim (Mini-USB frontal) |
| Software de configuração | SuperDrive G2 | WPS (WEG Programming Suite) |
| Comunicação Modbus RTU | Integrada (RS-485) | Integrada (RS-485) |
| Comunicação Profibus DP | Módulo opcional | Módulo plug-in |
| Comunicação EtherNet/IP | Módulo opcional | Módulo plug-in |
| Comunicação PROFINET | Não disponível | Módulo plug-in |
| Comunicação CANopen | Módulo opcional | Módulo plug-in |
| Função STO (Safe Torque Off) | Não integrada | Integrada (SIL 3 / PLe) |
| Entradas digitais | 6 (expansível) | 6 (expansível via plug-in) |
| Saídas analógicas | 2 | 2 (expansível via plug-in) |
| IHM (display) | LCD 2 linhas | LCD gráfico ou LED (conforme modelo) |
| Dimensões (frame A, até 2cv) | ~185 × 130 × 172 mm | ~170 × 120 × 155 mm (menor) |
| Proteção IP | IP20 (padrão) | IP20 / IP66 (conforme modelo) |
| Disponibilidade de peças | Reduzindo gradualmente | Total (linha ativa) |
Pontos Fortes do CFW11
Mesmo descontinuado, o CFW11 permanece em operação em milhares de plantas industriais brasileiras. Há boas razões para isso:
Confiabilidade comprovada
Com mais de 15 anos de mercado, o CFW11 acumulou um histórico excepcional de confiabilidade. Os módulos de potência (IGBTs) são robustos, a placa de controle é estável e os capacitores do barramento DC apresentam vida útil longa quando a manutenção preventiva é realizada corretamente.
Enorme base instalada
A grande base instalada significa que técnicos de manutenção de todo o Brasil conhecem o equipamento. Parâmetros como P0100, P0101, P0133 e P0169 são praticamente linguagem universal entre profissionais de automação no país. Essa familiaridade reduz o tempo de comissionamento e de diagnóstico de falhas.
Programação direta e intuitiva
A estrutura de parâmetros do CFW11 é considerada mais simples que a do CFW500. A organização em grupos (P0xxx para leitura, P1xx para rampas, P2xx para entradas/saídas) permite configuração rápida sem necessidade de software externo para aplicações padrão.
Amplo suporte no mercado de reposição
Placas de controle, módulos IGBT, fontes auxiliares, ventiladores e capacitores do CFW11 ainda estão disponíveis — tanto originais (estoque remanescente WEG) quanto recondicionados por empresas especializadas como a FIXTRON. O custo de reparo tende a ser menor que o de substituição completa.
Pontos Fortes do CFW500
O CFW500 representa um salto de arquitetura em relação ao antecessor. As melhorias mais relevantes para o dia a dia industrial incluem:
Arquitetura moderna com SoftPLC
O recurso mais diferenciador do CFW500 é o CLP integrado programável em IEC 61131-3. Com ele, é possível implementar lógicas de intertravamento, sequenciamento e controle PID diretamente no inversor — eliminando, em muitos casos, a necessidade de um CLP externo. Para aplicações como bombeamento, ventilação e dosagem, esse recurso é transformador.
Programação via USB com WPS
A porta Mini-USB frontal e o software WEG Programming Suite (WPS) permitem configurar, monitorar e diagnosticar o inversor de forma gráfica e intuitiva. O WPS oferece osciloscópio integrado, backup/restore de parâmetros e programação do SoftPLC — tudo em uma única ferramenta gratuita.
Mais opções de comunicação industrial
Além dos protocolos já suportados pelo CFW11, o CFW500 adiciona suporte nativo a PROFINET e DeviceNet por módulos plug-in, facilitando a integração com CLPs Siemens S7-1500 e outras plataformas modernas de automação.
Função de segurança STO integrada
A função Safe Torque Off (STO) certificada SIL 3 / PLe vem de fábrica no CFW500. Em aplicações que exigem conformidade com a NR-12, esse recurso elimina a necessidade de contatores de segurança externos, simplificando o projeto e reduzindo custos.
Formato compacto
O CFW500 é fisicamente menor que o CFW11 na maioria das faixas de potência. Para retrofits em painéis com espaço limitado, essa redução de volume pode ser decisiva.
Dica de especialista
Se a aplicação exige comunicação PROFINET ou função STO, o CFW500 é a única opção viável dentro da linha WEG de uso geral. Nesses cenários, a migração não é apenas recomendada — é obrigatória.
Quando Reparar o CFW11 vs. Migrar para o CFW500
Essa é a pergunta que mais ouvimos em campo. A resposta depende de uma análise caso a caso, mas existem critérios objetivos que ajudam na decisão:
Continue reparando o CFW11 quando:
- A aplicação é simples (V/F ou VVW básico) e não exige recursos avançados
- Há peças de reposição disponíveis e o custo do reparo é inferior a 40% do preço de um CFW500 novo
- O painel não precisará de adequação para receber o novo modelo
- A equipe de manutenção domina o CFW11 e não há orçamento para treinamento
- O inversor apresentou falha pontual (ex.: ventilador, capacitor) e a placa de controle está íntegra
Migre para o CFW500 quando:
- O CFW11 apresenta falhas recorrentes (mais de 2 reparos no mesmo equipamento em 12 meses)
- A aplicação precisa de STO, PROFINET ou CLP integrado
- O custo do reparo ultrapassa 50% do valor de um CFW500 equivalente
- A planta está passando por modernização e padronização de equipamentos
- A disponibilidade de peças de reposição para o CFW11 está comprometida naquela faixa de potência
- Há exigência de adequação à NR-12 e a solução com STO integrado é mais econômica
Análise de Custos: Reparo vs. Substituição
A tabela abaixo apresenta valores médios de mercado (fev/2026) para um inversor de 10 cv / 380V, uma das potências mais comuns em indústria:
| Cenário | Custo Estimado | Prazo |
|---|---|---|
| Reparo CFW11 — troca de ventilador | R$ 350 – R$ 600 | 1 a 2 dias |
| Reparo CFW11 — troca de capacitores do barramento DC | R$ 800 – R$ 1.500 | 3 a 5 dias |
| Reparo CFW11 — troca do módulo IGBT | R$ 1.800 – R$ 3.500 | 5 a 10 dias |
| Reparo CFW11 — placa de controle | R$ 2.000 – R$ 4.000 | 7 a 15 dias |
| CFW500 novo (10cv/380V) | R$ 4.500 – R$ 6.500 | Pronta entrega |
| CFW500 novo + comissionamento | R$ 5.500 – R$ 8.000 | 1 a 3 dias |
Atenção ao custo total de parada
Ao comparar reparo vs. substituição, não esqueça de incluir o custo da parada de produção. Em muitas indústrias, uma hora de máquina parada custa mais do que o próprio inversor. Se o prazo de reparo for longo e não houver spare disponível, a substituição imediata pode ser economicamente superior mesmo com custo unitário maior.
Dicas para uma Migração Suave do CFW11 para o CFW500
Se a decisão for pela migração, estes cuidados garantem uma transição sem surpresas:
1. Mapeamento de parâmetros
A estrutura de parâmetros do CFW500 é diferente da do CFW11. A WEG disponibiliza uma tabela de equivalência no manual do CFW500 (capítulo "Migração"). Os parâmetros mais críticos para mapear são:
- Rampas de aceleração/desaceleração — P0100/P0101 (CFW11) → P0100/P0101 (CFW500, mesma numeração)
- Corrente nominal do motor — P0401 (CFW11) → P0401 (CFW500)
- Modo de controle — P0202 (CFW11) → P0202 (CFW500)
- Referência de velocidade — P0221 (CFW11) → P0221 (CFW500)
- Entradas/saídas digitais e analógicas — requerem atenção pois a lógica de configuração mudou
2. Compatibilidade de cabeamento
Os bornes de potência (R/L1, S/L2, T/L3, U, V, W) seguem o mesmo padrão. Porém, os bornes de controle possuem disposição física diferente. Recomendamos:
- Fotografar ou documentar toda a fiação de controle antes de desmontar o CFW11
- Verificar se as seções dos cabos de controle são compatíveis com os novos bornes
- Atentar para a mudança de pinagem nos conectores de comunicação serial
3. Dimensões do painel
O CFW500 é geralmente menor, mas os pontos de fixação são diferentes. Verifique se será necessário adaptar a placa de montagem ou os furos de fixação no painel.
4. Filtro EMC e reator de linha
Se o CFW11 utilizava reator de linha ou filtro RFI externo, verifique a compatibilidade com o CFW500. Os modelos com filtro integrado do CFW500 podem eliminar a necessidade do filtro externo.
5. Backup dos parâmetros atuais
Antes de remover o CFW11, faça um backup completo dos parâmetros via SuperDrive G2 ou anote manualmente os valores alterados em relação ao padrão de fábrica. Esse registro é essencial para replicar o comportamento no CFW500.
Serviço FIXTRON: Migração Assistida
A FIXTRON realiza o serviço completo de migração CFW11 → CFW500, incluindo mapeamento de parâmetros, adaptação de painel, comissionamento e testes de carga. Solicite um orçamento sem compromisso.
Conclusão
Não existe uma resposta universal para a escolha entre CFW11 e CFW500. O CFW11 continua sendo um inversor confiável e viável para muitas aplicações — especialmente quando o reparo é econômico e rápido. O CFW500, por sua vez, é a escolha natural para novas instalações, modernizações e aplicações que demandam recursos como STO, SoftPLC ou PROFINET.
A decisão ideal combina análise técnica (requisitos da aplicação), análise econômica (custo total de propriedade) e visão de longo prazo (disponibilidade de peças e suporte). Independentemente da escolha, contar com uma assistência técnica especializada faz toda a diferença para maximizar a vida útil e o retorno sobre o investimento em qualquer inversor WEG.
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